A educação emocional na formação docente

A educação emocional na formação docente
Kayo Pontes | 17/05/2022

Todos os dias somos bombardeados com milhares de conteúdos através de diversas plataformas físicas ou digitais, devido ao avanço tecnológico, que também é responsável pela democratização do conhecimento, onde o acesso a informações que antes eram privadas aos meios de comunicação, agora podem estar a um click de distância. Mas como isso pode impactar a função do educador?

Em um passado recente, poderíamos definir o educador como meio para um fim, sendo ele um transportador de conhecimento. Mas, com os novos cenários propostos para e pela sociedade, o profissional de educação hoje atua muito mais como um gerenciador de informação do que de fato como um palestrante.

Inovações abrem margem para novos problemas. Considerando o atual contexto, a formação docente deve, também, adaptar-se e entender as demandas do mercado, sendo fundamental que a construção do profissional seja pautada para além de habilidades técnicas, priorizando skills emocionais para lidar com as adversidades que seus estudantes encontrarão durante todo o processo educacional, como também nas relações pessoais.

O excesso de informação constante agrava doenças como a ansiedade¹, a qual afeta 19 milhões de pessoas no Brasil, sendo o maior índice do mundo segundo a OMS. Todo o sistema de ensino deve entender seu papel para com a sociedade e a saúde de jovens e adolescentes. O psicológico do profissional é a principal ferramenta para o contínuo processo evolutivo da educação no país.

Mas, antes que possamos vislumbrar um cenário em que nossos estudantes estarão trabalhando a inteligência emocional no ambiente escolar, é fundamental que os profissionais recebam condições melhores comparadas às que hoje são ofertadas como média no Brasil. A reestruturação do ensino deve tratar como ponto inicial temas como a valorização salarial dos professores e equipamentos necessários para desempenhar a função, visto que muitos trabalham em condições insalubres. Portanto, é impossível abordar o tema sobre melhorias tecnológicas de ensino sem que esteja vinculado por completo às condições psicológicas de professores e alunos, principalmente no cenário pós pandêmico.

Para além dos estresses já citados, é fundamental que a instituição, representada por seus gestores e demais membros do corpo docente, inclua pautas sociais a fim de conscientizar todos aqueles que participam da jornada estudantil. Necessitamos que assuntos como racismo, homofobia, machismo e muitos outros sejam focos de debate para criarmos uma cultura social de respeito para com o outro, pois ter a sua individualidade respeitada é um importante passo para estar cada vez mais seguro e capaz de praticar a sua inteligência emocional.

 

Referências:

 

Revista Educação. (22 DE MARÇO, 2021). Professores: saúde mental fragilizada e a desvalorização como regra. Fonte: Revista Educação

Revista Educação. (5 DE MAIO, 2021). Saúde mental e as habilidades socioemocionais dos professores. Fonte: Revista Educação

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